Resfriamento Artifical de Sementes de Aroz

1. INTRODUÇÃO E OBJETIVOS

O bom desempenho produtivo da lavoura de arroz é dependente da utilização de sementes de qualidade, sendo que os principais indicadores de qualidade fisiológica destas sementes são, dentre outros, a germinação e o vigor. Também já é sabido que sementes com alto percentual germinativo e de vigor representam ganhos produtivos a campo, por motivos simples como: melhor distribuição de plantas por área plantada; redução da quantidade de semente e consequentemente de tratamento por área plantada e aumento de produtividade.

Neste contexto, a pergunta que fica é como garantir altos percentuais de germinação e vigor de sementes de arroz até o momento do plantio? Esse processo inicia-se com a produção, a campo, de uma semente com essas caraterísticas, no entanto, se o armazenamento desta semente não for realizado de maneira adequada, facilmente as propriedades fisiológicas da semente são afetadas. Desta forma, este material apresenta, de forma objetiva, como o resfriamento artificial pode contribuir para a manutenção da qualidade fisiológica ao longo do armazenamento.

2. RESULTADOS TÉCNICO-CIENTÍFICOS

Um estudo realizado no Programa de Pós-graduação em Fisiologia Vegetal da UFPEL por Vollmann (2016), avaliou o armazenamento por 168 dias de sementes de arroz (cv BR-IRGA 417) com 13,2% de umidade em diferentes condições de temperatura: T1 – sementes armazenadas sob condições de laboratório, sem nenhum controle de umidade e temperatura; T2 – sementes armazenadas à temperatura constante de 15ºC; T3 – sementes armazenadas em temperatura de 15ºC, com elevação da temperatura para 25°C, durante 24h, a cada sete dias; T4 – sementes armazenadas em temperatura de 15°C, com elevação da temperatura para 25ºC, durante 24h, a cada 14 dias de armazenamento. Os principais resultados desse estudo são abordados a seguir.

Na Tabela 1 (verso) são apresentados os resultados de Germinação (G) e Primeira Contagem de Germinação (PCG) de sementes de arroz armazenadas em diferentes condições de tempo e temperatura durante 168 dias. Observa-se que o armazenamento na temperatura constante de 15ºC (T2) apresentou os melhores percentuais de germinação após 168 dias de armazenamento das sementes, quando comparado as demais condições de armazenamento testadas.

Ao avaliar os resultados da primeira contagem de germinação (vigor) observa-se que os melhores resultados também são encontrados para as sementes armazenadas à temperatura constante de 15ºC, quando comparado com as demais condições de armazenamento testadas.

É importante destacar que o armazenamento em temperatura constante de 15ºC, além de apresentar os melhores resultados de germinação e vigor, essas sementes não apresentaram reduções significativas desses parâmetros ao longo do armazenamento, diferentemente das sementes armazenadas a 15ºC, com elevação para 25ºC por 24 horas a cada 7 dias (T3) que apresentaram redução de 3 pontos percentuais da germinação e do vigor e das sementes armazenadas a 15ºC, com elevação para 25ºC por 24 horas a cada 14 dias (T4) que apresentaram redução de 4 pontos percentuais na germinação e de 5 pontos percentuais no vigor.

Outro resultado importante para avaliar o desempenho das sementes, é o teste de emergência em canteiros, conforme resultados apresentados na Figura 1 (verso). Observa-se que o único tratamento em que a emergência em canteiros se manteve acima de 80% foi o T2 (sementes armazenadas à temperatura constante de 15ºC).

Esses resultados estão de acordo com os resultados de germinação e vigor apresentados anteriormente. Esse conjunto de resultados enfatiza a importância da utilização e manutenção de temperaturas de refrigeração para manter a qualidade de sementes de arroz durante o período de armazenamento. Temperaturas de refrigeração reduzem a taxa respiratória, mantendo as reservas energéticas dos grãos e inibindo a atividade enzimática de enzimas capazes de acelerarem a degradação das sementes.

3. DORMÊNCIA X RESFRIAMENTO X GERMINAÇÃO

Muito se pergunta se a temperatura de resfriamento artificial das sementes (15 -16°C) pode interferir na dormência das sementes. Para esclarecer esse ponto é importante saber quais os fatores que interferem na dormência das sementes, como: Genético; Temperatura e Umidade Relativa do Ar na floração e enchimento de grãos e demais condições de estresse da planta nas fases finais de cultivo. Os trabalhos técnico-científicos têm demonstrado que esses fatores interferem na difusão de gases no interior da semente, tornando restrita a chegada do O2 no embrião, desta forma, enquanto o O2 não chega em quantidade suficiente ao embrião, a germinação não inicia.

Neste contexto, fica evidente que o período de dormência é determinado principalmente na produção das sementes no campo, e conforme apresentado nos resultados da tabela 1 e figura 1, as sementes armazenadas a 15°C, durante 168 dias, não apresentaram dormência e mantiveram as melhores propriedades fisiológicas.

Tabela 1. Germinação (G) e Primeira Contagem de Germinação (PCG) de sementes de arroz submetidas ao armazenamento em diferentes condições de temperatura e tempo

*Letras iguais não diferem significativamente entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Onde: T1 – sementes armazenadas sob condições de laboratório, sem nenhum controle de umidade e temperatura; T2 – sementes armazenadas a temperatura constante de 15°C; T3 – sementes armazenadas em temperatura de 15°C, com elevação da temperatura para 25°C, durante 24h, a cada 7 dias; T4 – sementes armazenadas em temperatura de 15°C, com elevação da temperatura para 25°C, durante 24h, a cada 14 dias de armazenamento. Fonte: Adaptado de Vollmann (2016). **Coeficiente de Variação

Figura 1. Percentagem de emergência de plântulas de sementes de arroz após 168 dias de armazenamento em diferentes condições. Onde: T1 – sementes armazenadas sob condições de laboratório, sem nenhum controle de umidade e temperatura; T2 – sementes armazenadas à temperatura constante de 15ºC; T3 – sementes armazenadas em temperatura de 15ºC, com elevação da temperatura para 25°C, durante 24h, a cada sete dias; T4 – sementes armazenadas em temperatura de 15°C, com elevação da temperatura para 25ºC, durante 24h, a cada 14 dias de armazenamento. Fonte: Adaptado de Vollmann (2016)

4. CONCLUSÕES

  • Semente de arroz armazenada sob resfriamento (15°C) preserva a germinação e o vigor ao longo do armazenamento;
  • O armazenamento das sementes a 15°C não aumenta o período de dormência, que é predeterminado durante a produção no campo.

5. REFERÊNCIA

  • VOLLMANN, A. Alterações fisiológicas e bioquímicas em sementes de arroz sob diferentes condições de armazenamento.
  • Dissertação de mestrado. 39f. Programa de Pós-Graduação em Fisiologia Vegetal. Universidade Federal de Pelotas. Pelotas/RS, 2016.
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